quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Cor da pele tem influência na profissão, aponta IBGE

Trabalho: Avaliação é de 71% dos entrevistados em cinco Estados e no DF

Arícia Martins e Luciano Máximo | De São Paulo

Pesquisa inédita realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o trabalho é o local onde as pessoas acreditam que a raça ou cor têm a maior influência na relação social entre as pessoas. A resposta foi dada por 71% dos entrevistados de uma amostra de cerca de 15 mil domicílios, coletada em 2008 em cinco Estados brasileiros (Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso), além do Distrito Federal.

Com o objetivo de classificar o peso dos fatores cor e raça em diferentes situações da vida do brasileiro, a "Pesquisa das Características Étnico-raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça" ouviu pessoas com 15 anos ou mais, escolhidas por sorteio.

Cada entrevistado podia apontar três alternativas para questões sobre trabalho, relação com a Justiça e polícia, convívio social, escola, repartições públicas, atendimento à saúde e matrimônio. Depois de trabalho, as relações sociais mais citadas foram Justiça/polícia, escolhida por 68,3% dos pesquisados pelo IBGE, e convívio social, item mencionado por 65% das pessoas ouvidas.

Para especialistas consultados pelo Valor, a indicação de que cor e raça têm influência relevante em várias situações da vida do brasileiro reflete uma realidade há muito conhecida: o Brasil ainda é um país preconceituoso, sem verdadeira integração racial, o que é sentido principalmente no trabalho - espaço social que, assim como a escola, é o que mais envolve o cotidiano do cidadão.

Na opinião do cientista político Daniel Cara, o estudo do IBGE só mostra em termos de opinião o que já é verificado de forma objetiva. "A questão racial pesa negativamente para os negros nos aspectos-chave para a construção da qualidade de vida e questão social", avalia. "A opinião dada na pesquisa só corrobora que é preciso tomar medidas no sentido de superar o preconceito."

A violência contra os negros é tão gritante, diz Cara, que acaba superando discussões sobre o preconceito sofrido no emprego e na escola. "Desde o mercado de trabalho passando pela educação, e chegando especialmente nas relações que evidenciam violência e criminalização, no fundo a vida cotidiana mostra que o Brasil é um país que ainda precisa evoluir muito para superar a questão racial", afirma.

Maria Julia Nogueira, secretária de combate ao racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), lembra que, nos últimos anos, o país "avançou muito" nas políticas de enfrentamento da discriminação racial, mas o preconceito ainda pode ser percebido nas estatísticas. "Pesquisas mostram, invariavelmente, que a disparidade entre trabalhadores negros e não negros é enorme, principalmente nas questões salariais e de ocupação de cargos de chefia", afirma a sindicalista.

Recente relatório produzido pelo Instituto Ethos e pelo Ibope , a partir de um levantamento que colheu a opinião de mais de 620 mil empregados de 109 empresas grandes, revelou que 67,3% dos cargos de direção dessas companhias são ocupados por brancos, enquanto os negros representam 31% dos principais cargos da elite empresarial.

Mesmo com três diplomas, incluindo uma graduação em literatura inglesa pela universidade Westminster College, de Londres, o advogado João Antonio Alves reclama da dificuldade de conseguir emprego e diz que "já cansou" de sofrer preconceito racial "velado" em processos seletivos, principalmente em empresas de grande porte.

"Dizer que o Brasil é um país sem preconceitos, que não há racismo por aqui, é chover no molhado. Pegue as grandes corporações: quantos chefes são de cor? Tenho três faculdades e sofri muito para me colocar no mercado numa posição à altura da minha capacidade, mas hoje trabalho por conta e estou muito bem profissionalmente", conta Alves.

Na opinião de Antonio Guercio, também advogado, associar cor e raça a questões profissionais é um sinal claro de que "o preconceito existe e faz parte do nosso dia a dia". "Uma pessoa dizer que a cor tem peso no seu trabalho é obviamente uma percepção negativa, porque mostra que a sociedade brasileira ainda mantém arraigados certos valores da época do Brasil escravocrata. Ou seja, quando falamos de negros continuamos dando importância aos valores externos e não aos valores intrínsecos de cada cidadão", diz Guercio.

"É um dado um pouco chocante", diz a pesquisadora do IBGE Ana Lúcia Saboia em alusão à pesquisa sobre raça e cor. Ela destaca, no entanto, que o instituto não pôde chegar a outras conclusões a partir das respostas encontradas no estudo, mas que pretende aprofundar melhor o tema em futuros levantamentos.

"Estamos estudando como essa questão da cor e da raça está presente no debate público do país. Também estamos preocupados em fazer com que o nosso sistema de dados esteja sempre adaptado à realidade brasileira. Esse é um primeiro estudo para vermos como será daqui para frente", diz Ana Lúcia.


Colaboração: Carlos Henrique (voluntário da RMC).

31º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia - João Pessoa - Paraíba 2011

                                       Por uma educação popular de qualidade que sirva ao povo
         O Movimento Estudantil de Pedagogia que siga sempre forte na luta combatendo o oportunismo.

 Ato Publico dos Estudantes de Pedagogia na Praça da Lagoa em João Pessoa


O Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia contou com a presença de 1.200 pessoas sendo que em sua maioria são estudantes de Pedagogia, que em mais um encontro reafirmam o posicionamento de repúdio a falta de respeito em que o Governo e o Ministro Fernando Addad vem tratando a Educação.
O ato público é um dos momentos do Encontro em que o estudante pode manisfestar sua indignação perante ao descaso à educação e dizer que estamos nos posicionando contra os ataques governistas e o sucateamento da educação publica e que contiuamos na luda pela valorização e respeito pela educação.

Luiza Colombo (UFRJ) falando sobre Educação Popular

31° ENEPE em João Pessoa - Ato Público 3 

Definição da sede para o 32º ENEPe.
 

A negação da realidade como estratégia de afirmação de um projeto de governo





Nenhum projeto de governo está consolidado.

O grupo político que ocupa o Poder Executivo como resultado das eleições precisa disputar permanentemente a opinião pública na perspectiva de convencê-la de que o projeto do governo atual é o melhor para a sociedade.

Quem discorda tem o legítimo direito de se manifestar, se organizar e atuar na mesma sociedade. A manifestação de opinião sobre um projeto ou gestão de governo não é prerrogativa apenas de partidos políticos mas de cada cidadão que se organiza através de uma associação de bairros, uma entidade estudantil, uma agremiação esportiva, uma federação de indústrias, um clube de lojistas, um sindicato de trabalhadores, um movimento de quilombolas, sem terra, atingidos por barragens, etc, etc, etc.

A recente história da humanidade nos mostrou os resultados de governos que não aceitam a discordância e a pluralidade de opiniões . Facismo, nazismo, ditaduras militares...

Para ter opinião não é necessário ser filiado à um partido político. Para isso a nossa Constituição nos garante o direito à liberdade de expressão, associação, manifestação...

Acho que o Governo do Estado não está preparado para conviver com a diversidade de opiniões, com críticas ao seus programas e com um movimento sindical autônomo e organizado na base.

Em visita à uma redação de um meio de comunicação mineiro neste período de recesso, alguns jornalistas me relataram o comportamento do governo ao responder o nosso movimento: "falam que o Sind-UTE mente muito, não diz a verdade e manipula as pessoas". O Governo nega a realidade que apresentamos sem qualquer embasamento e desqualificam as informações da categoria afirmando serem "mentirosas".

A cada atividade nossa, o Governo intensifica a propaganda de seus projetos na educação como o que assistimos nos últimos dias sobre o Professor da Família. Negam a realidade que vivemos com propagandas de projetos que não são realidade no estado.

Ao afirmarmos que o Governo não paga o Piso, negam a realidade que está no contracheque das pessoas e reafirmam o subsídio.

Ao informarmos à sociedade que o percentual da nossa greve é de 50%, novamente negam o que está ocorrendo em todo o estado e afirmam que só há 1% em greve. Mas gastam milhões em publicidade para contrapor o nosso movimento.

Enfrentaremos nos próximos dias uma intensificação das propagandas do governo desqualificando a nossa greve, tentando desmoralizar o nosso sindicato e a tentativa de convencimento de permanecer no subsídio.

Por outro lado, mais de 70 mil profissionais da educação tiveram a mudança de remuneração publicada. Outros milhares que já fizeram o pedido, aguardam a publicação. Muitos colegas deixaram para fazer a opção perto do prazo final. Se levarmos em consideração que os colegas designados não podem optar, os aposentados que não tem paridade e portanto não foram para o subsídio, as direções e secretárias de escola que não foram para o subsídio e portanto não estarão em nenhuma estatística de retorno, a categoria já manifestou para o governo o que ela quer: o Piso Salarial como vencimento básico de acordo com a Lei Federal 11.738/08.

Se não tivéssemos iniciado a greve no dia 08/06, o subsídio seria a forma de remuneração da rede estadual, com poucas exceções, não teríamos mais campanha salarial e estaríamos aguardando a boa vontade do governo para resolver os inúmeros problemas de carreira e da vida funcional.

Todos que em Minas Gerais têm a coerência de manifestarem opiniões diferentes da construída pelo atual governo, que se organizam de maneira autônoma e reivindicam um Piso Salarial serão acusados de fazerem movimento político. É uma pena que o Governo ainda não saiba que todos nós somos seres políticos, por isso nos organizamos em sociedade. Do contrário viveríamos na barbárie.

Já afirmou Paulo Freire que a educação é um ato político.


COMUNICADO PELA imediata libertação de ativistas presos na Bolívia

No dia 1º de agosto, as forças de repressão do Estado
boliviano invadiram o escritório do Centro de Estudos Populares (CEP)
e prenderam os ativistas peruanos Hugo Wálter Minaya Romero, Williams
Antonio Minaya Romero, Blanca Riveros Alarcón e José Antonio Cantoral
Benavides.



A ação foi conduzida diretamente pela cúpula do governo de
Evo Morales e executada pelo Grupo de Investigação de Casos Especiais
(GICE) e pela Força Especial de Luta Contra o Crime (FELCC) da cidade
de El Alto. O diretor da FELCC, Roberto Campos, afirmou que os
ativistas “foram apreendidos em circunstâncias em que se encontravam
fazendo panfletagem”, com dizeres contra o gasolinaço (a política de
elevação do preço dos combustíveis) e as transnacionais da Bolívia, e
esses panfletos eram dirigidos à comunidade acadêmica da Universidade
Popular de El Alto – UPEA (El Mundo, 02/08/2011). O próprio Ministro
de Governo de Morales, Sacha Llorenti, afirmou que eles “trabalhavam
elaborando panfletagem contra o governo boliviano e recrutando gente
para lhes dar aulas”, e que eles teriam ligações com o Sendero
Luminoso, nome atribuído ao Partido Comunista do Peru (Maoísta).



Os representantes do governo afirmaram ainda que três dos
ativistas seriam sumariamente expulsos da Bolívia para o Peru, e a
Comissão Nacional de Refugiados (Conare) iria fazer uma reunião de
emergência para tratar do caso de José Antonio Cantoral Benavides, que
tem reconhecido oficialmente o status de refugiado.



O Centro de Estudos Populares (CEP) da Bolívia é uma
organização que tem constantemente defendido os direitos do povo
boliviano, promovido seminários e discussões acadêmicas, e denunciado
a violência do governo contra camponeses pobres na Bolívia, a situação
decadente do sistema de saúde, a corrupção dos dirigentes sindicais e
as suas políticas que servem aos interesses dos ricos e das
transnacionais, que exploram os recursos naturais da Bolívia. Em maio
de 2010, o CEP divulgou nota denunciando a criminalização das lutas
populares praticada pelo ministro Sacha Llorenti, ex- membro e
ex-presidente da Assembléia Permanente de Direitos Humanos da Bolivia.



Em sua página na internet (estudioyrealidad.blogspot.com),
o CEP se define como “uma organização sem fins lucrativos, que conta
com uma equipe multidisciplinar, dedicada ao estudo e análise da
realidade boliviana com um compromisso com os setores explorados que
lutam permanentemente em defesa dos seus direitos democráticos”.



Fica claro e confirmado pelas próprias autoridades do
governo que a prisão desses 4 ativistas é uma perseguição contra suas
posições políticas. Um caso grave de prisão arbitrária e repressão à
dissidência política, condenada pelo Direito Internacional e praticada
por um governo que se diz “socialista”. O art. 19 do Pacto
Internacional de Direitos Civis e Políticos, de 1966, afirma que



1. Ninguém poderá ser molestado por suas opiniões.

2. Toda pessoa terá direito à liberdade de expressão; esse direito
incluirá a liberdade de procurar, receber e difundir informações e
idéias de qualquer natureza, independentemente de considerações de
fronteiras, verbalmente ou por escrito, em forma impressa ou
artística, ou qualquer outro meio de sua escolha.



Ante o exposto, a IAPL, a ABRAPO e o CEBRASPO se opõem à
prisão e expulsão, da Bolívia, de Hugo Wálter Minaya Romero, Williams
Antonio Minaya Romero, Blanca Riveros Alarcón e José Antonio Cantoral
Benavides. E se unem ao povo boliviano, às organizações sindicais e
políticas e às organizações de direitos humanos na denúncia desta ação
condenável do governo que, com métodos fascistas, tenta calar as vozes
contrárias a ele. Que o governo de Evo Morales liberte imediatamente
os quatro presos políticos e repare os danos a eles causados. E que
cesse a repressão à dissidência política na Bolívia.



IAPL – Associação Internacional dos Advogados do Povo

ABRAPO – Associação Brasileira dos Advogados do Povo

CEBRASPO – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos